Acabo de entrar numa gaveta
Tirando o meu número de espera
Sempre que se abre essa gaveta..
Será que fui esquecido?
Ou existem mais números para chamar!
Passo horas na gaveta
Fazendo dela meu lar
Esperando horas a fio
Só para poder falar
Fiz amizade com a gaveta
Só para ajudar-me a passar o tempo
Pois já é a segunda vez
Que fico no esquecimento, talvez seja minha vez.
Dentro da gaveta com mãos soltas
Fazendo festas à gaveta ansiando ser o próximo
Mas olhando o relógio, começa ficando tarde
E é assim que fico, guardado na gaveta, para poder dormir.
Um outro dia toca o telefone
Então ouço essa voz tão atraente
dizendo: “Hoje sim, nós vamos falar!”
Sorrio, pois eu acreditei naquela voz meiga.
Espero muito contente
E onde näo poderia faltar
Do meu lado, minha gaveta,
Para mais uma vez me deitar
Então digo a mim mesmo, com toda a convicção,
A primeira fiquei esperando
A segunda aceitei de novo…
Num dos quatro cantos de madeira em minha volta
Abriu-se uma greta e entra através dela uma voz meiga,
A mesma que escutei no telefone:
“Dê-me um minuto, já volto!”
E mais uma vez passo o meu tempo na gaveta
Esperando até que saia o meu número e seja chamado.
Resolvido para não deixar que aconteça
Uma terceira vez, entro pois em minha gaveta
Fecho-me à chave, mas por dentro, não deixo que
Ninguém se aproxime de mim, faço-me invisivel, para
Quando abrirem minha gaveta, näo se lembrem,
Mais de mim, pois quem não se lembra também não
Pode magoar, ficando por aqui, deixo um beijo e vou-me fechar,
Em minha gaveta de estimação.
escrevi enquanto esperava em minha gaveta,
à espera de ti, pois na saudade eu senti
que de tanto que te amo me esqueci
que pertenço a uma gaveta e não a ti.